A crescente tensão entre Estados Unidos e China no campo da inteligência artificial (IA) se intensificou com a mais recente decisão do governo americano de proibir o uso do modelo DeepSeek, desenvolvido por uma empresa chinesa, nas agências federais. O Ministério do Comércio da China expressou descontentamento, argumentando que essa medida não só prejudica as empresas chinesas, mas também ignora os acordos diplomáticos estabelecidos entre os dois países.
Na segunda-feira, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) ordenou a remoção do DeepSeek e de serviços associados dos sistemas de tecnologia da informação de agências civis, citando preocupações sobre múltiplos “vetores de ameaça”. Os EUA temem que o uso desse modelo possa resultar na transferência de dados sensíveis para a China, uma situação que levanta questões sérias sobre segurança nacional.
O ministério chinês não hesitou em classificar a ordem como uma “prática incorreta” e pediu que os EUA revertessem suas ações discriminatórias. Pequim se comprometeu a monitorar de perto a situação e a tomar as medidas necessárias para proteger seus interesses, refletindo a determinação da China em não ceder diante das pressões externas.
Além disso, a China também se manifestou contra sanções impostas pelos EUA a cinco entidades chinesas, acusadas de roubo de segredos comerciais relacionados à IA. Entre as empresas sancionadas está a Shanghai Zhisuan Technology, fundada por um ex-engenheiro do Google, que já enfrentou condenação por roubo de propriedade intelectual, embora parte de sua sentença tenha sido posteriormente anulada.
O ministério chinês criticou a postura dos EUA, afirmando que o país exagera as questões de roubo de segredos comerciais e difama as empresas chinesas. A insistência em um diálogo construtivo sobre inteligência artificial entre as duas potências é uma demanda recorrente de Pequim, que espera que os EUA honrem os compromissos feitos pelos líderes de ambas as nações.


