sábado, 17/10/2026

Dólar R$ 5,08 Euro R$ 5,72

Globo IA

Dólar R$ 5,08 Euro R$ 5,72

Trump propõe mudança na terminologia de ‘IA’ após décadas de uso convencional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se concentrado em um tema que, até pouco tempo, não era considerado uma prioridade em sua agenda: a inteligência artificial. Em um recente discurso na Assembleia…

Compartilhe:

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se concentrado em um tema que, até pouco tempo, não era considerado uma prioridade em sua agenda: a inteligência artificial. Em um recente discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump propôs uma mudança de nomenclatura, sugerindo que o termo “inteligência artificial” seja substituído por “superinteligência”. Para ele, a atual denominação transmite uma sensação de falsidade e inadequação.

Antes de decidir pelo novo termo, Trump lançou uma enquete em sua plataforma Truth Social, onde ofereceu outras opções como “Inteligência Superior” e “Inteligência Extrema”. A falta de clareza sobre como essa mudança seria implementada ou sua aceitação no mercado de tecnologia levantou questões sobre a seriedade da proposta. A situação se agravou quando Trump declarou que trataria como “inimigos” aqueles que continuassem a usar o termo original.

A proposta de Trump levanta um debate interessante sobre a natureza e a definição da própria inteligência artificial, um conceito que tem mais de 70 anos e que evoluiu significativamente ao longo das últimas décadas. Anderson Soares, especialista em IA, argumenta que o conceito de inteligência carece de uma definição precisa, tanto nas ciências quanto na tecnologia. Para ele, a iniciativa de Trump parece mais um movimento político do que uma contribuição real ao desenvolvimento da tecnologia.

Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco, observa que a declaração de Trump na ONU, onde destacou a “superinteligência”, parece mais uma estratégia de marketing do que uma mudança substancial. Ele alerta que a ideia de um novo termo pode gerar receios adicionais entre a população, que já demonstra uma resistência à tecnologia. A pesquisa do Pew Research Center mostra que 52% dos brasileiros estão mais preocupados do que animados com o avanço da IA, enquanto nos EUA essa porcentagem é ainda maior, com nove em cada dez americanos expressando apreensão sobre a possibilidade de a IA superar a inteligência humana.

A origem do termo “inteligência artificial” remonta a meados da década de 1950, quando pesquisadores buscavam criar máquinas que imitassem o raciocínio humano. Esse campo emergente se diferenciava da cibernética, focando no raciocínio e na autonomia das máquinas. A popularização da IA se consolidou com o advento de tecnologias do dia a dia, como reconhecimento facial e assistentes virtuais, culminando na era da IA generativa que conhecemos hoje.

Para Soares, as inovações tecnológicas geralmente seguem um padrão: começam com medo e desconfiança, evoluem para aceitação e, eventualmente, são compreendidas como parte da vida cotidiana. A tentativa de Trump de rebatizar a IA poderá, na melhor das hipóteses, provocar uma discussão sobre sua aceitação, mas sua eficácia e relevância para o desenvolvimento do setor permanecem questionáveis.