A pesquisa da Smollan, realizada em agosto, revelou um dado intrigante sobre o comportamento do consumidor brasileiro: 76% dos entrevistados já se depararam com um produto em uma loja física antes de finalizarem a compra pela internet. Essa tendência, conhecida como “showrooming”, ilustra um dos principais desafios enfrentados pelo comércio varejista tradicional, que luta para se manter relevante em um cenário cada vez mais digital.
Conforme noticiado pelo g1, o varejo tem se adaptado a um ambiente econômico difícil, marcado por altas taxas de juros e um consumidor mais cauteloso em relação ao crédito. A redução do número de lojas e a busca por operações mais eficientes tornaram-se estratégias comuns entre os varejistas que tentam reverter resultados negativos.
O comportamento do consumidor mudou radicalmente; hoje, ele pesquisa preços online, visita lojas para tocar e avaliar produtos, e muitas vezes finaliza a compra na internet. Essa dinâmica levanta a questão: como as lojas físicas podem se manter competitivas em um mercado onde os consumidores têm acesso facilitado a informações e preços?
Os dados da pesquisa mostram que a interação entre os canais físico e digital é mais comum do que se imagina. Além dos 76% que realizam compras online após visitar lojas, 81% afirmaram pesquisar na internet antes de ir a um ponto de venda. Ademais, 87% admitiram ter saído da loja com um produto diferente do que inicialmente pretendiam comprar.
Renato Vechiatto, COO da Smollan para a América Latina, destaca que, embora os consumidores cheguem às lojas mais informados, a capacidade do ponto de venda de influenciar a escolha ainda é significativa. Fatores como preço, promoções e experiência de compra continuam a ser determinantes na decisão final do consumidor.
Mesmo com a praticidade do e-commerce, a experiência presencial ainda é valorizada, especialmente em categorias específicas. Por exemplo, 93,4% dos consumidores preferem comprar carne em lojas físicas, enquanto 92% fazem o mesmo com hortifrútis. No segmento de eletrônicos, no entanto, as preferências são mais equilibradas, refletindo a diversidade de necessidades dos consumidores.
Os varejistas enfrentam o desafio de oferecer uma experiência que a compra online não consegue replicar totalmente. Vechiatto enfatiza que, mesmo não sendo sempre possível competir em preço com o comércio eletrônico, as lojas podem oferecer alternativas como opções de financiamento ou acessórios que potencializem a venda.
Além disso, a pesquisa revelou que 77,7% dos entrevistados consideram o preço um fator crucial na decisão de compra. As promoções também são um atrativo significativo, evidenciando a importância de uma boa estratégia de marketing e estoque. Curiosamente, 57% já desistiram de uma compra na loja física por falta de disponibilidade do produto desejado, sublinhando a necessidade de integração entre os canais físico e digital.
À medida que o varejo evolui, a adaptação das lojas físicas não é apenas uma questão de sobrevivência, mas uma oportunidade de redefinir seu papel na jornada de compra. Com a crescente integração entre os canais e a busca por eficiência, o futuro das lojas não é sombrio; pelo contrário, pode ser promissor se as empresas souberem se reinventar e oferecer uma experiência de compra que realmente atenda às novas demandas dos consumidores.
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