A recente explosão da inteligência artificial tem gerado uma corrida por data centers em todo o mundo, estruturas que são essenciais para o armazenamento e processamento de dados. Contudo, essa evolução tecnológica não vem sem desafios, especialmente para os moradores que vivem nas proximidades dessas instalações. Uma reportagem do Fantástico lança luz sobre a realidade de quem reside no condado de Loudoun, na Virgínia, onde mais de 200 data centers estão em operação, resultando em um crescimento incessante que já dura 16 anos.
Os data centers, considerados a espinha dorsal da inteligência artificial, exigem enormes quantidades de energia e água para manter seus sistemas operacionais. À medida que esses complexos se expandem, a proximidade com áreas residenciais levanta preocupações significativas. Moradores como Lindsay, Greg e Jessica, que agora têm um data center em frente a suas casas, compartilham suas angústias sobre o impacto da estrutura em suas vidas desde sua inauguração em 2022.
Esses residentes não apenas enfrentam um zumbido constante, mas também a fumaça gerada por turbinas movidas a gás natural e geradores a diesel que operam no local. “Quando os geradores funcionam, o cheiro de diesel é inegável”, relata uma moradora, que chegou a deixar sua casa por conta do barulho incessante. Outro morador expressa preocupação com o que realmente está presente na fumaça que emana do complexo.
Além dos incômodos sonoros, a poluição gerada por esses data centers também é um assunto de preocupação para especialistas. Um estudo de Harvard aponta que a poluição de um único centro pode resultar em custos de até US$ 99 milhões anuais em internações e mortes precoces. A demanda crescente por energia elétrica, impulsionada pela instalação desses centros, também exige investimentos significativos em infraestrutura, com novas linhas de alta tensão sendo necessárias.
Vicky Woo, uma moradora que vive na região há mais de 20 anos, lidera uma resistência contra a instalação de torres elétricas que ameaçam sua propriedade. “Estamos dentro da área de queda. Se uma torre cai, tudo ao redor é atingido. Quem vai ser responsabilizado por isso?”, questiona ela. Vicky acredita que a questão não é a existência dos data centers, mas sim sua localização imprópria em relação às residências.
O debate sobre os impactos dos data centers não é exclusivo dos Estados Unidos. O Fantástico também destaca que o Brasil está se movimentando nessa direção, com a recente aprovação do programa Redata, que oferece incentivos fiscais para a construção de data centers, desde que sigam diretrizes de sustentabilidade. No entanto, regras sobre distância mínima de áreas residenciais e controle de emissões ainda precisam ser definidas, conforme apontam especialistas.
Enquanto os governos e empresas traçam o futuro da inteligência artificial, os moradores de Loudoun enfrentam a dura realidade das consequências dessa transformação. Uma residente compartilha sua preocupação: “Tenho quatro netos e me pergunto que mundo vou deixar para eles”.



